Escravidão no século 21

Quando a gente ouve falar em “escravidão”, a primeira coisa que pensa é na época do Descobrimento, Brasil-colônia, tráfico negreiro… Nesse caso, o problema não é o que a gente lembra, mas o que deixa de lembrar.

A escravidão ainda é uma realidade para mais de 12 milhões de pessoas no mundo (e isso a gente sabe). O que a gente normalmente esquece é que várias dessas pessoas são brasileiras. Sim, porque você provavelmente não sabe, mas o Brasil é o terceiro país em quantidade de produtos produzidos com mão-de-obra escrava.

De tijolos a tênis (passando por uma série de produtos agrários), o país produz treze tipos diferentes de produtos com mão-de-obra escrava (e, muitas vezes, infantil). Pois é, perdemos só para a Índia e Burma. De acordo com estimativas oficiais, mais de 25 mil brasileiros trabalham como escravos.

De acordo com o levantamento da Anti-Slavery.org, a maior parte dos trabalhadores do país nestas condições é enganada por seus empregadores, que usam os gastos com transporte e alimentação como justificativa para os salários simbólicos que pagam, além de lançar mão de recursos violentos para manter seus funcionários quietos.

[O infográfico inteiro pode deve ser visto no site Products of Slavery.]

O que o país está fazendo?

Existem algumas iniciativas do Ministério do Trabalho para combater o trabalho escravo. Para começar, foi criado em 2002 um plano nacional de erradicação do trabalho escravo, que coloca a erradicação da escravidão como “condição básica para o estado Democrático de Direito”.

O documento (que é leitura obrigatória) elenca quinze ações multidisciplinares para o fim do trabalho escravo. As propostas vão desde a implantação do programa Fome Zero em regiões carentes até a criação de um grupo móvel para a fiscalização das condições de trabalho em diversas regiões do país.

Em 2009, foram realizadas 159 operações em vinte estados, resultando no resgate de 3.769 trabalhadores. Até setembro deste ano, 1.479 trabalhadores foram libertados em 69 operações. Não é muito, mas é alguma coisa.

E o que você pode fazer?

Ok, muito fácil meter o pau no governo. Mas o que você tá fazendo a respeito? A Anty-Slavery.org sugere que a gente comece a prestar mais atenção no que compra e não deixe de se posicionar frente às empresas. No seu site, a ONG oferece até um modelo de carta para a gente enviar às lojas ou empresas que usam mão-de-obra forçada.

“Ah, mas eu não compro nada desse tipo!”. Se você tem um produto da Apple, da Adidas, da Gap ou já comeu alguma vez na vida no Mc Donald’s não pode dizer isso.

Outra coisa simples: entre no grupo do Facebook do Anti-Slavery. Rápido e indolor.

Para denunciar trabalho infantil no Brasil, basta ligar para o número 100. Outra forma é entrar em contato com o Ministério do Trabalho (ok, dificilmente um e-mail seu vai resolver o problema. Que tal incentivar os amigos e a família a escrever algo?).

[Você encontra várias outras opções no site da organização. Corre lá!]

Anúncios

Uma resposta em “Escravidão no século 21

  1. Pingback: Zara-gate | Só mais uma coisa…

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s