Coisas a saber sobre Belo Monte

Eu vi, você viu e provavelmente até aquela sua tia que compartilha .ppt de autoajuda viu. O vídeo Gota D’água +10 que rodou a internet essa semana botou uma galera contra a construção da usina de Belo Monte, mais outro tanto a favor… virou pauta.

[se você não viu o vídeo, para tudo e assiste pra gente poder continuar]

A questão é que o vídeo (que não é cópia do americano, gente! Assiste até o fim que tem o crédito lá!) trouxe a questão de Belo Monte para a esfera pública pela primeira vez. Sim, eu sei que tem revista/jornal/site falando disso há um tempão. Mas você já tinha visto tanta gente na sua timeline do facebook tomando partido? Eu, não.

Desde antes desse vídeo [hipster detected] eu estava indo atrás de informações sobre essa história. Mas foi só depois do vídeo (e de várias informações que chegaram até mim por causa dele) que eu consegui formar uma opinião sobre a construção de Belo Monte.

E resolvi colocar aqui não o que eu acho, mas um monte de coisa que li sobre o assunto. Aí, você chega na sua opinião. Que pode não ser a minha.

História velha

A construção de Belo Monte não é coisa do governo da Dilma. Nem do Lula. É bem mais antiga que isso. O primeiro projeto de construção de uma usina naquela região (que atinge o Parque Nacional do Xingu etc etc) surgiu na época da ditadura.

Desde sempre existiu a questão ambiental. Desde sempre existiu a questão indígena. Desde sempre existiu a briga pelo poder. E foi por esses “detalhes” que o projeto foi sendo adiado, modificado, ajustado.

Para entender o começo de tudo, você tem que ler esse post do blog do Sakamoto. É longo, é maçante, é político. Mas é importante.

É bom pra quem?

A construção de Belo Monte não é péssima para todo mundo. O projeto de Belo Monte é ambicioso. É grande, é caro, é de primeiro mundo. Se o projeto sair do papel, o Brasil terá uma das usinas mais modernas do planeta. E quer propaganda melhor que essa?

Belo Monte também é interessantíssima para as empreiteiras (grandes apoiadoras do governo) porque custa muito dinheiro, como é normal de toda obra por aqui.

Regionalmente, a construção tem a possibilidade de desenvolver as cidades pequenas, criando um mercado local mais forte.

Além disso, ampliar o potencial elétrico do país é fundamental para o crescimento da economia. Não que o que a gente tenha hoje seja pouco (realmente não sei dizer isso), mas qualquer moleque sabe que as indústrias, empresas, escritórios e lojas não podem deixar de funcionar por falta de luz. Simples assim.

É ruim pra quem? 

Índia Tuíra Caiapó em protesto contra a construção de Belo Monte

Uma obra deste tamanho em uma região tão importante como a Amazônia não poderia ser simples. Existe uma série de argumentos contra a construção:

IMPACTO NAS PESSOAS: A construção de Belo Monte vai alagar uma parte da floresta. Uma parte onde moram pessoas. A parte onde por direito vivem cinco grupos indígenas que terão que se virar pra continuar existindo.

MEIO AMBIENTE: além do impacto natural de qualquer construção, Belo Monte vai mexer com o curso do Rio Xingu, acabando com o habitat de várias espécies que podem (ou não) se adaptar depois (todos os impactos ambientais estão no documento redigido por dezenas de especialistas para a Eletrobrás em 2009).

Vale dizer que o Ibama apontou os problemas ambientais e recomendou que a obra não fosse feita. Mas aí no ano passado o Congresso decidiu que o Ibama não pode mais impedir obra nenhuma. E segue o jogo.

CUSTO: Belo Monte vai custar muito. Muito. MUITO. Mais precisamente 26 bilhões de reais. Sem contar possíveis (?) desvios de dinheiro da obra. E 80% desse valor vai ser financiado pelo BNDES (ou seja: seus impostos).

Para você ter uma ideia: o custo do Itaquerão foi orçado em R$820 milhões. A previsão é que o orçamento do Ministério da Cultura em 2012 seja de pouco mais de R$ 2 bilhões.

POTENCIAL ENERGÉTICO: por causa do fluxo de água do Rio Xingu, que não é igual o ano todo, a usina de Belo Monte só vai poder trabalhar com todo seu potencial energético quatro meses no ano. O resto, vai produzir abaixo da capacidade.

Eu não sei que lado você vai tomar, mas acho que todo mundo deve ter um. Independente de índio, floresta e ribeirinhos, estamos falando de uma obra imensa que será financiada por você, que trabalha que nem um condenado e paga tanto imposto que perdeu a conta. Você quer que o governo faça o que com o seu dinheiro?

Para entender mais:

Quem tiver mais links bons pra recomendar, deixa nos comentários ou manda no twitter que eu vou atualizando aqui.

Update em 30/11:

O vídeo “Tempestade em Copo D’Água” fala o outro lado da construção de Belo Monte. Ao invés de globais, estudantes de engenharia da Unicamp.

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2 respostas em “Coisas a saber sobre Belo Monte

  1. Seu texto é totalmente tendencioso …se você não concorda com a construção era melhor postar dizendo q ue é contra e não tentar mostrar dois lados que não existem

  2. Lógico que sou CONTRA, há outros meios de conseguir energia elétrica, sem causar impacto ambiental nesta magnitude, é lamentável ver as fotos aéreas tiradas pelo Greenpeace, como os politicos não vêem essa destruição ambiental em massa e prejuizo às comunidades indigenas, ribeirinhas, fauna e flora??? Não atendem os protestos contra a contrução e enxerga os protestantes e ambientalistas como desordeiros.

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